Artistas mortos que ainda faturam muito

Devoção de velhos e novos fãs mantém os ídolos mortos seduzindo e faturando milhões nas paradas.

Do veterano Elvis Presley à recém-chegada Amy Winehouse, no panteão que os ídolos da música pop habitam além desta dimensão o tilintar da caixa registradora é constante.

Mortos, muitos artistas geram um faturamento tão grande ou ainda maior do que quando estavam vivos. Esta engrenagem é movida pela solidez e qualidade da obra que deixaram erguida ao partirem dessa para melhor e pela devoção de fãs que se renovam a cada geração – no caso de Amy, também pela comoção provocada por uma morte precoce, ainda que anunciada.

Até dois anos atrás, Elvis reinava absoluto no paraíso das celebridades que mais faturam postumamente, segundo o ranking da revista americana de economia Forbes. Na lista mais recente, que compreende ganhos entre outubro de 2010 e outubro de 2011, o rei do rock, pela segunda vez, cedeu o trono para o rei do pop, Michael Jackson – US$ 170 milhões contra US$ 55 milhões de Elvis. A performance de Jackson impressiona mesmo no mundo dos vivos, onde só ficaria atrás do U2 (US$ 195 milhões).

Publicada desde 2001, a lista da Forbes, que costuma tratar com respeitoso bom humor a saúde financeira dos ilustres defuntos, já teve no topo gente como o ídolo grunge Kurt Cobain (em 2006), impulsionado por uma milionária transação de direitos autorais capitaneada por sua viúva, Courtney Love, e o estilista Yves Saint Laurent (em 2009), por conta do leilão com valiosas obras de arte de seu espólio.

Outro dois grandes ídolos mortos que seguem em alta não estão na lista da Forbes (que estabelece um faturamento anual mínimo de US$ 6 milhões para figurar no clube). São Renato Russo, a voz do Legião Urbana, e Freddie Mercury, cantor do Queen, graças a permanente e elevada venda de discos de suas bandas, superiores aos de muito artista grande na ativa, no Brasil e no mundo.

Michael Jackson (1958 � 2009)
Vivo, Michael Jackson ensaiava uma volta por cima que, além de artisticamente redentora, seria providencial para aliviar as dívidas contraídas em anos de excentricidades e problemas com a justiça. Morto, dinheiro não é mais problema quando associado a seu nome, pois é ele a celebridade que mais fatura postumamente. Segundo a revista de economia Forbes, Jackson gerou em 2010 uma receita de US$ 170 milhões, ocupando a segunda posição no ranking geral do show business liderado pela banda U2 � em 2009, com o impacto de sua morte, Jackson também encabeçou a lista de lucros póstumos, com US$ 270 milhões.

A revista musical Billboard estima que espólio do cantor já lucrou mais de US$ 1 bilhão nestes últimas dois anos, incluindo US$ 380 milhões com a venda de discos do catálogo. É dele o álbum mais vendido da história, Thriller (1982), com mais de 110 milhões de cópias � no total, Jackson já vendeu 750 milhões de discos. O faturamento inclui ainda licenciamentos de produtos diversos, direitos autorais e até mesmo o lançamento de mais 10 discos nos próximos sete anos, em um contrato dos herdeiros com a gravadora Sony no valor de US$ 250 milhões.

O primeiro disco póstumo, Michael, com sobras de estúdio e faixas inacabadas concluídas por uma seleção de artistas, foi lançado em dezembro de 2010. Não teve o sucesso esperado, mas, com cerca de 3 milhões de cópias, figurou entre os mais vendidos daquele ano em muitos países. O próximo álbum póstumo será conhecido dia 21 de novembro agora: Immortal, com canções do espetáculo do Cirque du Soleil Michael Jackson: The Immortal World Tour � entre as 22 faixas, estão composições inéditas e novas versões de sucessos como Thriller, Wanna Be Startin’ Somethin’ e Ben.

O próprio espetáculo que o Cirque du Soleil estreou em outubro passado é um fonte geradora de lucro. Outra é o recente documentário Michael Jackson: The Life of an Icon, de Andrew Eastel, produzido por David Gest, amigo do artista, que teve acesso a imagens raras e depoimentos inéditos da família Jackson.

Amy Winehouse (1983 � 2011)
A morte precoce da jovem cantora ainda está tendo seu impacto comercial mensurado. Com o imenso sucesso de seu segundo álbum, Back to Black (2006), que vendeu mais de 13 milhões de cópias até 2010, Amy acumulou um patrimônio aproximado de 10 milhões de libras (R$ 28 milhões). Quando morreu, aos 27 anos, sua fortuna havia se diluído para 2 milhões de libras (R$ 5,6 milhões).

A repercussão da morte teve efeito imediato na execução de suas músicas e na vendagem de seus discos � Back to Black vendeu 175 mil unidades nas semanas seguintes ao dia em que Amy foi encontrada morta em sua casa, 23 de julho passado.

A caixa registradora deve funcionar em alta com a série de lançamentos com gravações que Amy fez nos últimos anos. O primeiro disco sai em 5 de dezembro: Amy Winehouse Lioness: Hidden Treasures, com faixas inéditas, versões de alguns de seus sucessos e covers como Garota de Ipanema � esta, gravada quando a cantora tinha 18 anos, em Miami. A renda, vale dizer, será revertida para a Amy Winehouse Foundation, de apoio a jovens carentes.

Renato Russo (1960 � 1996)
A recente homenagem prestada à banda Legião Urbana no Rock in Rio mostrou a força do mito Renato Russo também junto a uma geração que não era nascida quando o grupo viveu o auge do sucesso. Em 2010, o Legião Urbana teve seus oito álbuns de estúdio, entre eles o póstumo Uma Outra Estação (1997), relançados em edições especiais. E vende mais que muita grande banda em atividade. Soma 15 milhões de cópias comercializadas e, segundo a gravadora EMI, tem mantido a média de 250 mil unidades vendidas por ano, quantia alta até para padrões internacionais.

Desde a morte de Renato Russo, foram lançado oito discos póstumos da Legião, incluindo registros ao vivo e tributos, e outros oito dedicados ao cantor. A celebração terá continuidade nas salas de cinema. Dois longas-metragens chegarão em breve para se somar ao documentário Rock Brasília (recentemente exibido na Capital): a cinebiografia Somos Tão Jovens e Faroeste Caboclo, adaptação da letra do quilométrico hit da banda.

Fonte: ZeroHora
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